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Ao soar do batuque, em delírio nascemos, na anarquia de uma tarde quente de verão em 2003. A sedução da Lagoa nos conduziu pela ciclovia na cadência do desbunde, amigos em bando tomados de assalto pelo inusitado de um momento mágico. Era o prelúdio de um mosaico de gingados, que ano a ano foi ganhando mais uma peça, incansáveis declarações de amor ao Rio, aos seus poetas e artistas, aos seus encantos, promessas de fidelidade à esperança que irradia das suas encostas.
Sempre em paz, sempre à toa, morenas, lourinhas, mulatas, malandros, piratas, pastoras... todos, sem distinção, trazendo a folia de volta pras ruas, cantando a felicidade que é viver entre a montanha e o mar. Botamos o bloco na rua e arrastamos a nossa massa, navegando pela história do carnaval, festejando pelos bares da vida, dando à tristeza bye, bye, sob a benção do Cristo Redentor.
Vivendo o presente, sempre em frente, sem esquecer das raízes. Esse é o Spanta Neném de 10 carnavais. Um Spanta que não quer perder o espírito de menino, que ainda brinca e continua se surpreendendo com as belezas do Rio de Janeiro, mas que se inquieta com as mazelas da cidade, nelas buscando inspiração para seus projetos de futuro. Tudo isso, claro, pra começo de conversa.
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