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História do Samba
Todo mundo sabe que o samba tem seu “pezinho na África”, certo? Quer saber como isso tudo aconteceu? Então vamos lá!
Ritimos africanos junto com outros europeus como a polca, absorvidos pelo povo brasileiro, deram origem ao samba. Negros e mestiços vindos de vários cantos do Brasil, principalmente da Bahia, assim como os ex-soldados de Canudos, migraram para o Rio de Janeiro, então capital federal. Essas populações cresciam nas regiões do Morro da Conceição, Pedra do Sal, Praça Mauá, Praça XI, Cidade Nova, Saúde e Zona Portuária da cidade.
O Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira conta que os ex-soldados formaram uma comunidade denominada por eles de “Favela”, termo que passou a designar, posteriormente, as construções irregulares das classes de baixa renda. De acordo com o dicionário, o músico e dançarino Hilário Jovino Ferreia (1855/1933) foi “um dos principais líderes desse tipo de comunidade”. Ele fundou uma série de blocos de afoxés e ranchos carnavalescos.
“Segundo o pesquisador Hiram Araújo, na Bahia, ao longo dos séculos, as festas de danças dos negros escravos eram chamadas de "Samba". Com o passar dos anos, a dança "Samba", sempre conduzida por diversos tipos de batuques, assumiu características próprias em cada estado, não só pela diversidade das tribos de escravos, como pela peculiaridade da região em que foram assentados. Entre os tipos de danças populares mais conhecidas, destacamos Samba-lenço, Samba-rural, Tiririca, Miudinho e Jongo (São Paulo); Tambor-de-crioula ou Ponga (Maranhão); Samba-corrido, Samba-de-roda, Bate-baú, Samba-de-Chave e Samba-de-barravento (Bahia), Bambelô (Rio Grande do Norte), Coco (Ceará), Trocada, Coco-de-parelha, Samba de coco e Coco-travado (Pernambuco) e Partido-alto, Miudinho, Jongo e Caxambu (Rio de Janeiro).”
Dicionário Cravo Albin
Isso quer dizer que primeiro veio “balanço” e só depois veio a composição musical. O que havia em comum entre dança e música eram os estribilhos dançados e cantados.
Você sabia que as baianas tiveram uma importante participação do nascimento do samba? As Tias Baianas, que ficaram conhecidas no século XIX como as Tias do Samba, descendentes de escravos, passaram a morar nesses bairros. Foi quintal das casas dessas baianas quituteiras que as tradições musicais foram retomadas e incentivadas. As mulheres organizavam festas de rituais africanos, onde podia ser visto o candomblé e se ouvia um samba amaxixado. O samba como música popular brasileira nasceu na casa da Tia Ciata ou Aciata, avó do compositor Bucy Moreira. Ritmistas e compositores reuniam-se em seu quintal, e lá surgiu aquele que foi considerado o primeiro samba. Apesar disso, o Dicionário Cravo Albin afirma que havia várias outras versões da música, cantadas no improviso, anteriores à gravação deste samba que tinha muito a ver com o maxixe.
“Diz uma lenda que um samba para alcançar sucesso teria que passar pela casa de Tia Ciata e ser aprovado nas rodas de samba das festas, que chegavam a durar dias.”
Dicionário Cravo Albin
Quem eram essas baianas:
- Tia Amélia, mãe de Donga;
- Tia Prisciliana, mãe de João da Baiana;
- Tia Veridiana, mãe de Chico da Baiana;
- Tia Mônica, mãe de Pendengo e Carmen do Xibuca
- Tia Ciata
Pixinguinha, Sinhô, Donga e João da Baiana foram alguns dos mestres que se faziam presentes. Nessa época, o samba como dança e ritual aparecia também nas ruas e desfiles de cordões. Com o tempo, o gênero se adaptou ao compasso dos blocos carnavalescos.
O elo entre as baianas e a história do samba pode ser contemplado até hoje nos desfiles das escolas de samba, através da tradicional ala das baianas, uma representação das raízes afro-brasileiras. Ela foi uma espécie de homenagem às tias que fizeram o samba virar samba.
A ala apareceu no desfile da primeira escola de samba, “Deixa Falar”, criada em 1927 – a escola desfilou oficialmente em 1929, 1930 e 1931, dando ritmo ao samba que era até então amaxixado. Depois do desfile com a ala das baianas, outras escolas adotaram a medida que se tornou parte fundamental do regulamento dos desfiles. Segundo a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), na década de 30 estas alas eram formadas por homens que usavam navalhas presas às pernas para se defenderem em caso de briga.
De acordo com a Liesa, a ala com as características que vemos hoje foi criada na gestão de Roberto Paulino, biênio 60/62, na Mangueira. Atualmente, a ala das baianas e a Velha Guarda não são critérios de julgamento como é o caso do mestre-sala e da porta-bandeira. O desfile precisa ter no mínimo 100 baianas agrupadas.
O samba tornou-se um dos símbolos da identidade nacional e é o gênero básico da música popular brasileira.
Na verdade, a gente acha muito bacana conhecer a história das origens do samba, mas no fundo, no fundo, o que a gente quer mesmo é curtir o samba porque é bom demais! É bonito, é a alma do carnaval, é a alma do Rio e é nosso!
Fontes:
Dicionário Cravo Albin
http://www.dicionariompb.com.br/
Liesa
http://liesa.globo.com/
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